ESPETÁCULOS

ESPETÁCULOS:

Clique no espetáculo para mais informações.

2005 - Galileu Galilei
2006 - Play on Earth
2006 - A Verdade Relativa da Coisa em Si
2007 - OP1
2007 - Febre
2007 - RODA
2008 - What´s Wrong with the World?
2009 - WeTudo - DesEsperando Godot

GALILEU GALILEI

Montagem do texto de B.Brecht com Cia Phila7, Paulo César Pereio e Orquestra de Câmara da USP

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Beth Néspoli escreve para ‘O Estado de SP’ (08/04/2005)

Autora do livro História do Teatro Mundial, lançado no Brasil pela Editora Perspectiva, Margot Berthold dedica várias páginas do alentado volume ao teatro épico desenvolvido por Bertolt Brecht (1898-1956), autor cuja dramaturgia de cunho político, segundo ela, desafia o dogmatismo ideológico.

"Suas peças não apresentam palavras de ordem - desmascaram fatos", escreve a historiadora. Quem ainda duvida não deve deixar de conhecer Vida de Galileu, uma das peças mais bem escritas e instigantes de toda a vasta obra desse autor alemão.

Com o título Galileo Galilei, esse texto que valeu uma das melhores criações do Teatro Oficina volta a ser encenado graças a uma iniciativa conjunta da Orquestra de Câmara da USP, dirigida pelo maestro Gil Jardim, e do diretor teatral Rubens Velloso.

Com a participação dos 35 músicos da orquestra, um coral de oito vozes, onze atores e Paulo César Pereio como protagonista, Galileo Galilei faz nesta sexta-feira sua primeira récita aberta ao público no Teatro Alfa, mas é bom se apressar, pois serão apenas sete.

"A idéia inicial veio do maestro Gil, que queria abrir a temporada da orquestra com um trabalho que unisse diferentes linguagens", diz Rubens Velloso. "Como sou fascinado por essa peça desde que vi a montagem do Oficina, não tive dúvidas."

Fiel à proposta de mesclar linguagens, desejada pelo maestro, no palco serão projetadas imagens sobre uma tela que separa público e atores. "Não há abuso de projeções", garante Velloso. "Serão usadas em momentos precisos, por exemplo, de explosões de estrelas num céu em convulsão, imagens feitas pela Nasa."

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As músicas também foram escolhidas de forma cuidadosa. Entre os compositores há desde Vicenzo Galileo, pai do personagem central, até contemporâneos como Arvo Part.

Rubens Velloso lembra que estamos no Ano Internacional da Física. "Embora o mais importante seja mesmo poder levar esse texto maravilhoso ao palco."

Nessa peça, importa a Brecht a influência das descobertas de Galileu na vida do cidadão comum. Se a Terra não é o centro do universo, então a Igreja está errada? Mas se o seu poder está fundado no conhecimento, como fica? Daí a relevância da atitude de Galileu, de negar sua teoria para salvar sua pele.

Filho do músico Vicenzo, Galileu nasceu em Pisa em 1564 e estudou em Florença na infância. De volta à cidade natal, abandonou a faculdade de medicina pela de matemática e seria como professor dessa matéria que iria sobreviver.

Os biógrafos o descrevem como um homem temperamental capaz de apreciar igualmente uma boa discussão científica, um prato requintado e uma bela companhia feminina.

No início de suas pesquisas, aperfeiçoou a luneta - que fora trazida por um aluno e ele a vendeu como se fosse sua descoberta - e começa a estudar o movimento dos astros.

Nega a física aristotélica e, unindo a teoria heliocêntrica de Copérnico com suas observações ao telescópio, prova que a Terra não é o centro do universo, mas movimenta-se em torno do Sol. Descobre os anéis de Saturno, estuda as manchas solares.

Em 1933 é processado pela Santa Inquisição, que proibira a teoria de Copérnico e, diante dos instrumentos de tortura, abjura publicamente. A partir daí, vive em prisão domiciliar, sob vigilância da Igreja.

Cego e vigiado, ainda assim consegue escrever e contrabandear, por meio de um ex-aluno, seus estudos científicos para a Holanda, onde são publicados. Morre aos 78 anos, na companhia de uma filha.

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Em sua peça, Brecht mostra as múltiplas facetas desse homem, desde sua fé cega na razão até sua covardia, sem esquecer sua sensualidade. A famosa frase, "infeliz a terra que precisa de heróis" é dita por Galileu pouco depois de abjurar.

Quem quiser conhecer melhor as descobertas de Galileu terá a oportunidade: no palco, o astrofísico Reinaldo de Carvalho fará uma breve palestra sobre cosmologia pouco antes do início do espetáculo.

O Teatro Alfa fica na rua Bento Branco de Andrade Filho, 722, Santo Amaro, SP. O espetáculo fica em cartaz até o dia 17, de 5.ª a sáb., 21h e dom., 18h.
(O Estado de SP, 8/4)

PLAY ON EARTH

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fotos de Marcelo de Souza

Peça reúne três palcos pela internet
Matéria publicada no Jornal Folha de São Paulo – SP,14/06/2006, Ilustrada
VALMIR SANTOS

Imagine Nelson Rodrigues escrevendo "Vestido de Noiva" preocupado em transpor os três planos da sua narrativa (realidade, alucinação e memória) para as janelas de um computador. Guardadas as proporções, é o que o projeto " Play on Earth " pretende fazer, ao misturar relações presenciais e virtuais com atores simultaneamente em palcos nas cidades de São Paulo, Cingapura e Newcastle (Inglaterra).

A inusitada experiência estréia hoje, às 22h, no anfiteatro da Unip. Ao mesmo tempo, considerando os fusos horários incluídos, será acompanhada numa galeria inglesa e num teatro alternativo de Cingapura.

"A idéia é que tela e palco espelhem uma coisa só", afirma Rubens Velloso, 55, diretor da Cia. Philia 7, criada no ano passado e co-realizadora do projeto com a londrina Station Opera House e a cingapuriana TheatreWorks.

Os atores (quatro em São Paulo e três em cada uma das demais cidades) farão pouco uso da palavra (cada um em sua língua) e interpretarão uma história fragmentada, uma dramaturgia apoiada em movimentos e gestos.

As três telas sobrepostas em cada local projetarão uma "verdade comum", de acordo com Velloso, uma trama que diga respeito a questões conceituais sobre sinapse, virtualidade e realidade.

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Já ao vivo, cada elenco poderá ter improvisos em paralelo ao que se vê no vídeo. "O desafio é dar unidade a isso tudo", diz o diretor.

A transmissão será feita via internet, pelo sistema "streaming" (tecnologia que permite teleconferências, por exemplo).

Segundo Velloso, o projeto conta com tecnologia que garantirá uma boa conexão entre os palcos nos três continentes. "Temos uma linha de telefonia especial para internet e Voip (Voice over Internet Protocol).

Caso aconteça uma falha técnica, o espetáculo não será prejudicado devido à dramaturgia ao vivo", afirma Marisa Riccitelli Sant'Ana, co-diretora de produção em São Paulo.

As apresentações de " Play on Earth " na capital paulista serão realizadas até o dia 24/6 em diferentes horários -manhã, tarde e noite-, por causa do fuso dos três países.

A temporada coincide com a realização do Festival Internacional de Artes de Cingapura, de 1º a 25/6.

POR QUE VER

Em 2004, a cia. Station House Opera, idealizadora do projeto, co-realizou eventos do mesmo molde em três cidades do Reino Unido e em apartamentos de um mesmo edifício na Holanda. O recurso da internet é incipiente nos palcos brasileiros

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Clique nos links abaixo para ver os seguintes vídeos:

O espetáculo PLAY ON EARTH na íntegra;

matéria sobre o espetáculo;

entrevista com Rubens Velloso;

entrevista com Beto Matos;

entrevista com Mirella Brandi;

OP1

OP1 é um espetáculo cênico que explora os limites entre o real e o imaginário através da interação entre dança, vídeo, luz e música e dos princípios da Optical Art. Uma proposta que experimenta os limites do espaço e da tecnologia no diálogo com o corpo.

Assista ao vídeo do OP1 - editado por Rodrigo Gontijo



Através de uma pesquisa coreográfica feita com o corpo real e virtual (captado por câmeras e projetado) em contraponto a propostas gráficas criadas a partir de luzes e vídeos, Op1 pretende interagir com hábitos mentais e a estabilidade da visão do espectador - princípios da Optical Art que ampliam a relação entre o real e o imaginário.

Clique aqui e veja a agenda do OP1

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Uma câmera colocada em uma vara em cima do palco capta as imagens do corpo em movimento e as projeta em tempo real no telão. A iluminação reforça a ilusão ao revelar ou esconder partes ou o todo do corpo, transformando-o continuamente. A música original, realizada com recursos eletrônicos, ao mesmo tempo em que cria atmosferas, desconstrói melodias ironicamente.

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OP1 é um espetáculo onde a interação entre diversas áreas é fundamental. Assim, não se trata apenas de um espetáculo de dança ou de teatro. É, antes, uma experiência cênica onde a luz, o vídeo, a música e o corpo são protagonistas de uma idéia que proporciona ao público uma percepção diferenciada, onde a realidade e a ilusão estão em contínua relação.

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O uso dos suportes digitais e eletrônicos na criação artística do espetáculo é conseqüência direta da pesquisa que vem sendo desenvolvida pela Cia Phila 7 que tem na tecnologia uma ferramenta para a construção de uma linguagem cênica.

Ficha Técnica

Direção geral e Design de luz MIRELLA BRANDI

Coreografia solo LALI KROTOSZYNSKI

Vídeo RODRIGO GONTIJO

Música original FABIO VILLAS BOAS

Dramaturgia BETO MATOS

Direção de produção MARISA RICCITELLI SANT´ANA

Fotos RICARDO FERREIRA

REALIZAÇÃO CIA PHILA 7

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Clique aqui para ver MATÉRIA NA REVISTA INGLESA THE WIRE - 279, EM MAIO DE 2007

A VERDADE RELATIVA DA COISA EM SI

CLIQUE NA IMAGEM PARA IR PARA O SITE DO ESPETÁCULO

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fotos de Ricardo Ferreira

O TEXTO

O texto teatral inédito “A Verdade Relativa da Coisa em Si”, de Marcos Azevedo e Beto Matos, foi contemplado com o Prêmio Funarte de Dramaturgia/2005 – Região Sudeste. É uma comédia ácida, uma bem-humorada (des)construção dramatúrgica, onde o riso surge de uma identificação inevitável da platéia com o universo contemporâneo.

O objetivo da peça não é apenas questionar a veracidade da informação, mas antes, o que se faz dela. “A VERDADE RELATIVA DA COISA EM SI” é uma crítica às verdades instantâneas e ao entretenimento banal, criados pela mídia, em uma época em que a vida real é manipulada como ficção. Ela coloca em xeque as chamadas verdades fabricadas e como o público se relaciona com elas. Questões de relevância, especialmente se levarmos em conta o debate atual em torno do controle dos meios de comunicação pela sociedade civil.


Vídeo de Rodrigo Gontijo.

A MONTAGEM

A linguagem da encenação usa a tecnologia como forma de comunicação tanto pelos atores em cena quanto pelos espectadores que interagem com a ação. São utilizados celulares, vídeos, câmeras de segurança e um computador on-line. Assim, estas diferentes tecnologias de comunicação são transformadas em extensões dos sentidos dos atores e público.

Utilizando os mesmos recursos de comunicação da mídia, o espetáculo coloca o espectador diante do conceito de “relatividade”, usando informações contraditórias entre si e polêmicas em relação ao senso comum.
Com a criação de um site, “www.verdaderelativa.com.br” se expande e traz, a um só tempo, o público da internet ao teatro e do teatro à internet.

Ficha Técnica
Texto: Beto Matos e Marcos Azevedo. Direção: Rubens Velloso. Elenco: Ana Souto, Andréa Tedesco, Beto Matos e Marcos Azevedo. Música original: André Abujamra. Light designer :Mirella Brandi. Vídeoartista:Rodrigo Gontijo. Cenário: Marcos Azevedo e Beto Matos. Programação Visual: Lab.ur.dza.. Produção Executiva: Marisa Riccitelli Sant´ana. Realização: Cia Phila7

Tempo de duração:1h30min.
Faixa etária recomendada: a partir de 14 anos.
Foram feitas várias fotos tanto dos ensaios quanto do espetáculo no Instituto Cultural Itaú. A maioria delas por Ricardo Ferreira.

Para agrupá-las usamos a ferramenta Flickr. Dê uma olhada na galeria de "A verdade relativa da coisa em si"

FEBRE

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O espetáculo “FEBRE” visa o debate sobre a despersonalização do indivíduo dentro do sistema capitalista de consumo.
As múltiplas vertentes, que determinam nossos hábitos, posturas e conceitos, são a matéria prima desta pesquisa de linguagem cênica. Todo ser social repete padrões coletivos, alguns superficiais e inofensivos, outros essencialmente perigosos. A palavra “FEBRE” assimila conceitos positivos e negativos como: “paixão”, “fascinação”, “moda”, “mania”, “delírio”, “obsessão”, “vício”, “compulsão”e “fanatismo”.

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Dramaturgia como arma. Escrita no momento histórico da invasão do Iraque pelos E.U.A, a peça recontextualiza os conceitos de Imperialismo, Guerra e Terrorismo, numa escala familiar, micro-cósmica, traçando um paralelo com “Oréstia” do grego Ésquilo. Febre tem uma estrutura poética não-linear. A narrativa se desenvolve como uma jornada no inconsciente de Diana, a personagem protagonista, e podemos considerar que toda a ação se passa em sua mente. Seu conturbado universo mental é um campo minado, um território fértil em miragens e “desilusões de ótica”. Num estado febril, de delírio e devaneio, Diana recria signos e fatos de sua memória, vibrando num estado de consciência alterado. O confronto com os fantasmas da família é aqui uma metáfora de poder e manipulação. A revolta contra o usurpador, contra o genitor opressor é recriada como uma batalha pela sobrevivência e evolução. Os alter-egos da protagonista Diana são arquétipos que ecoam no labirinto psicanalítico; personificações monstruosas de nossos medos, culpas e fantasias.

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Encenação - A encenação transpõe a prosa poética e o poder imagético do texto em uma estética interpretativa com cores surrealistas. A cenografia se inspira em espaços arquitetônicos pré-existentes como ambiente cênico, utilizando paredes e pisos como suporte para projeções de vídeo. Apenas objetos essenciais à ação estão em cena. Luz e vídeo conversam intimamente e fundem suas linguagens e potencializam o drama. O figurino onírico e o trabalho de animação gráfica colocam os personagens em situações insólitas. A trilha sonoraoriginal (digital e orgânica num só tempo) em compasso com a pesquisa de movimento e gesto do ator (que cria imagens simbólicas e responde à um vocabulário corporal cifrado) potencializam a atmosfera de cada signo. É nesta afiada lâmina que os atores se equilibram e se arriscam, buscando na fisicalidade uma forma de poesia e na palavra o potencial de apalpar o espectador. A encenação ainda agrega bandas locais para que ao fim do texto o espetáculo não termine, mas se transforme e abra espaço para a música ao vivo. Com transmissão do espetáculo via internet por streaming de vídeo , “FEBRE” se expande e traz, a um só tempo, o público da internet ao teatro e do teatro à internet.

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fotos de Ricardo Ferreira e Melina Resende.

FEBRE8.jpg Ficha Técnica- Núcleo DRAMAX*

Texto e Direção - Marcos Azevedo

Elenco- Roberta Youssef, Ravel Cabral, Fernanda Franceschetto, Renata Fasanella, Bianca Bertolaccini, Diego Ruiz, Sidney Favini

Pesquisa de Movimento- Ravel Cabral

Trilha/Sonoplastia- Fábio Villas Boas

Iluminação- Mirella Brandi

Cenografia- Marcos Azevedo

Vídeografia- Rodrigo Gontijo e Théo Grahl

Animação gráfica- Gustavo Duarte Filho

Figurino- Karina Montenegro

Assessoria de Imprensa- Vanessa Tozzo

Programação Visual- Pablo Casas

Produção-Marisa Riccitelli Sant´Ana

Tempo de duração: 1h30min.

Faixa etária recomendada:
a partir de 14 anos.


LEIA CRÍTICA PUBLICADA NA FOLHA:

Guia da Folha
TEATRO
De 28 de setembro a 04 de outubro
Febre
Espetáculo procura arquétipos no cotidiano
Sérgio Salvia Coelho

"Febre" é uma peça que assume riscos. Primeiro, o de se adequar à proposta multimídia do espaço GAG (Grupo de Arte Global), um amplo quintal-bar que desde maio se propõe a ser "um pólo agregador e irradiador dos novos cruzamentos da arte contemporânea". Assim, sem ser uma vídeo-performance, inclui em sua narrativa projeções que criam um universo onírico.

Por outro lado, vai além da pesquisa de efeitos, propondo uma narrativa abertamente simbolista, que lembra o "Sonho", de Strindberg. Mistura de Alice e Hamlet, Diana (a intensa Roberta Youssef) faz uma jornada iniciática por traumas familiares, com uma verve poética que transborda às vezes das imagens sintéticas, mas que o carisma do Núcleo Dramax* mantém em sintonia com os "descolados" freqüentadores do Gag.

Marcos Azevedo, o autor-diretor, abre o peito sem medo para expor suas feridas pessoais, com a colaboração no texto de seu elenco, e procura tirar uma dimensão arquetípica da fútil elite urbana. Um pouco ingênua, um pouco hermética, pretensiosa no bom sentido, é uma peça que visa alto, se permitindo errar.

Grupo de Arte Global (r. Tito, 79, Vila Romana, tel. 3596-3671). 100 lugares. Sex. e sáb.: 21h. Até 10/11. 90 min. 14 anos. Ingr.: R$ 20. C F I R

Avaliação: bom

RODA

DEZEMBRO:

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RODA
mostra de artistas que pensam o corpo


RODA:
série de acontecimentos que compõem a vida,
especialmente os inesperados.

RODA convida o público para conhecer a programação de vídeos, instalações, debates, danças e performances dedicada à visibilidade e difusão da produção contemporânea independente que pensa o corpo no mundo contemporâneo.

RODA pretende reunir grupos de pessoas diferentes com interesses afins para estabelecer relações entre si.

Clique aqui e veja matéria na FOLHA DE SÃO PAULO sobre o RODA , por Adriana Pavlova.

Clique aqui e veja matéria no ESTADO DE SÃO PAULO sobre o RODA, por Livia Deodato.

PROGRAMAÇÃO

Abertura: 4/12 às 20hs
Exposição: de 4 a 9 de dezembro, das 14 às 22hs
Roda de Debates: 05/12 - 20h30; 06/12 - 20h30 e 08/12 - 17h30
ENTRADA FRANCA
Local: GAG - Grupo de Arte Global
Rua Tito, 79 – Lapa - fone: 11 3596 3671
São Paulo/SP
www.gag.art.br

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OBRAS

·Bicho, de Wagner Schwartz (MG) – vídeo-instalação
·Relevante - homenagem à obra mole, de Thiago Costa e Danilo Dilettoso (MG/SP) – vídeo
·Sensações Contrárias, de Jorge Alencar, Matheus Rocha e Amadeo Alban (BA) - videodança
·Fora de Campo, de Cláudia Muller e Valeria Valenzuela (RJ) - videodança
·Jornada ao Umbigo do Mundo, de Alex Cassal e Alice Ripoll (RJ) - videodança
·Cleópatra, de Wagner Schwartz, Ligia Manuela Lewis e Alex Forge (Brasil/Alemanha) - instalação
·Natureza Morta, de Caroliny Pereira (MG) - instalação
·Rei Nu, de Natália Oliveira (MG) - instalação
·Fragmentos, de Tania Fraga (SP) - Obra-programa explorando efeito de Pulfrich
·Disposições Transitórias ou Pequenas Mortes, de Vera Sala e Rodrigo Gontijo (SP) - vídeo-instalação
·Pés Descalços Caminham Calados, de Candice Didonet (SP) - dança
·O Bixo, de Adriane Gomes (SP) - performance
·PollocKhair, de Sérgio Khair (SP) – performance palhaço
·(sub)verso, de Vicente Martos (SP) - performance
·lapsos de quase silêncios (eu queria construir uma ruína), de Anahí Santos (SP) – instalação dança
·Grandezas do ínfimo, de Anahí Santos (SP) – vídeo

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RODA DE ENCONTROS
Debates com artistas, críticos e pesquisadores convidados.

· Roda 01 :: 5/12 - 20:30 hs
Corpo em Interface
Helena Katz - crítica de dança
Luiza Paraguai - artista
Otávio Donasci - videoartista

· Roda 02 :: 6/12 - 20:30 hs
Espaços do Corpo
Vera Sala - bailarina
Tania Fraga - artista e arquiteta
Thelma Bonavita – performer e coreógrafa

· Roda 03 :: 8/12 - 17:30 hs
Corpo e Comunicação
Helena Bastos - bailarina e coreógrafa
Nancy Betts – curadora arte contemporânea
Rubens Velloso – diretor


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FICHA TÉCNICA

Curadoria: Maíra Spanghero
Direção Artística: Rubens Velloso e Maíra Spanghero
Colaboração Artística: Beto Matos e Marcos Azevedo
Direção de Produção: Marisa Riccitelli Sant'ana
Designer de Luz: Mirella Brandi
Assistente de Iluminação: Ari Nago
Produção: Grupo de Arte Global - GAG
Assistente de Produção: Vinicius Baroncelo
Câmera e Vídeo: Rodrigo Gontijo
Site: Beto Matos
Projeto Gráfico: Amanda Sanchez

AGRADECIMENTOS:

Lali Krotoszynski
Fernanda Franceschetto
Bartholomeu de Haro e Elen Londero
Adriana Oddi


APOIOS E PARCERIAS

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WHAT´S WRONG WITH THE WORLD?

CLIQUE AQUI E VÁ PARA O SITE DO ESPETÁCULO: www.playonearth.com.br

EIS UMA PRIMEIRA VISTA DE OLHOS NO LOCAL - EIS GROSSO MODO ESSES CORPOS VISTOS SOBRE UM PRIMEIRO ANGULO - EIS UM PRIMEIRO RESUMO DO CODIGO DOS ESCALADORES

Primeiros ensaios no meio de um cenário beckettiano. Antecipando as falas já lá estão os personagens no palco “falando” por meio de suas simples presenças – imóvel ou quase.

- Estragon – E nós ?
- Wladimir – Por favor ?
- Estragon – eu digo, e nós ?
- Wladimir – Não compreendo
- Estragon – qual o nosso papel nisso?
- Wladimir – que papel?

Todos. Nenhum.No principio era a ação, não o verbo. Somente o percurso matemático que por meio de análise combinatória dos elementos envolvidos determina a relação entre os frames Palco – Box – Janela – Bar – Rua - outra Janela e o frame estrangeiro, forasteiro que vem formatado num big Mac. Sanduíche de realidade acompanhado de cerveja quente.

Personas viajando de um frame a outro vivendo em cada um deles de olhos fechados e ignorantes do seu destino. Identidades sem significações permanentes, indeterminadas, hibridizadas, explodidas. Unidades de reprocessamento e reciclagem que se cercam de todas as apostas e mantêm abertas todas as opções.

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Corpo ideograma – anda, para, gira, ansiosa, arruma mesa, desfaz a mesa, frio, abraça, eu te amo, eu te amo, imóvel, irritado, toma, pega, usa, faz o que quiser, a decisão é tua, outra vez, mais doce, o outro, o forasteiro, repete, em outro tempo, em outro lugar. Não atuar, estar.

Viver na indiferença, no desprendimento. Existência repleta de mudanças, efêmera, por isso na sua fluidez se torna dispensável: tornar-se ninguém.

Na porta do bar ela fala: "Hoje uma mulher se suicidou em uma estação do metro, mas no minuto seguinte levantou-se, só que já não era mais a mesma pessoa, entendeu?"

Corta. O presente: uma caixa dentro de outra caixa, dentro de outra caixa vazia, nada. Até para uma imagem de um papel em branco é possível se atribuir um significado, se você não consegue, o problema não é da imagem é seu.

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Presença física e imagem. Relações intercambiáveis. O outro, o estrangeiro, também esta lá. Flesh and Blood em outro lugar. Corta.
Numa das sessões do espetáculo uma família ocupou quatro lugares lado a lado, exceto o marido, que ocupou uma cadeira lateral. A mulher diz: senta mais no meio se chegar alguém você sai. Ele levanta, senta, ela diz ai, ai esta bom. A pessoa ao lado da mulher, talvez a filha, pergunta: sobre o que é mesmo este espetáculo? Não sei, responde a mulher, porém quando tudo termina ,um rapaz aparece no frame do estrangeiro acena e toda a família se emociona manda beijos e chora. Era a imagem -filho carregada de afeto. Reencontrando a imagem - pai/mãe. Liturgia da imagem, epifania da imagem, dramaturgia da imagem.

Reter na retina a imagem do meu rosto refletida num chão polido pela cera
Parquetina.
“Retina é uma parte do olho dos vertebrados responsável pela formação de imagens, ou seja, pelo sentido da visão. É como uma tela onde se projetam as imagens: retém as imagens e as traduz para o cérebro através de impulsos elétricos enviados pelo nervo óptico.”
Licença poética: tudo é imagem.

Usar a imagem-acao para fluir na imagem-tempo. Corta.
Eu me lembro foi em Cuba, não foi em Marienbad, nos nos abraçávamos. Não na verdade eu olhava você sozinha no salão dançando. “Onde foi que vos perdi, minhas imagens pisoteadas? ” Alguma coisa mais que a realidade falta `a realidade.

Separation, diáspora do Eu, qual ética é possível?

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Pobre das flores nos canteiros dos jardins regulares.
Parecessem ter medo da policia…
Mas tão boas que florescem do mesmo modo
E tem o mesmo sorriso antigo
Que tiveram para o primeiro olhar do primeiro homem
Que as viu aparecidas e lhes tocou levemente
Para ver se elas falavam…….

Estamos cansados da arvore. Não devemos mais crer nas arvores . toda cultura arborescente esta fundada nelas, da biologia `a lingüística. Ao contrario, nada e belo nada e amoroso nada e político a não ser os caules subterrâneos e as raízes aéreas, a adventícia e o rizoma. Qualquer ponto de um rizoma pode ser conectado com qualquer outro, e deve sê-lo. É muito diferente da arvore ou da raiz, que fixam um ponto, uma ordem.
O múltiplo, só quando e efetivamente tratado como substantivo, como multiplicidade, deixa de ter qualquer relação com o Um como sujeito ou como objeto, como realidade natural ou espiritual, como imagem e mundo.

Talvez quando enxergarmos o outro como uma outra possibilidade do que somos, cheguemos a algum lugar, do contrario companheiros, bem vindos ao deserto do real.

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Psicografado numa noite de luar no terreiro do Castelinho sob a proteção da mãe de Santo Molly Bloom, Penélope pos moderna, e na luxuosa companhia de Deleuze, Zizek, Braudillard, Bachelard, Agambem, Godard, Martinez, Beckett, Fernando, Samba e Jazz, etc..etc..etc.…. pensadores que na sua complexidade me ajudam a tentar entender a obviedade do mundo. E também na presença de um morcego-vampiro que pousado em meu ombro não poupou meu sangue e `a maneira do corvo de Poe sussurrava em meu ouvido: Everness..Everness...

Sólo una cosa no hay. Es el olvido.
Dios, que salva el metal, salva la escoria
Y cifra en Su profética memoria
Las lunas que serán y las que han sido.

Ya todo está. Los miles de reflejos
Que entre los dos crepúsculos del día
Tu rostro fue dejando en los espejos
Y los que irá dejando todavía.

Y todo es una parte del diverso
Cristal de esa memoria, el universo;
No tienen fin sus arduos corredores

Y las puertas se cierran a tu paso;
Sólo del otro lado del ocaso
Verás los Arquetipos y Esplendores.


A todos vocês Edu, João, Silvana, Fernando, Isa, Flavia, Cinthia, Marcello, Theo, Leo, Thereza, Gigante, André, Davi, Luis Guilherme, Diego, Azul, Eduardo, Anderson
Os companheiros de viagem,
Rodriguinho e a ocupação do espaço GAG pelo cine vídeo arte
Mayrinha roda roda e agita nem um minuto para o comercial
Lovely Luci, nossa nova parceira, a minha querida e anjo da guarda Anik.

E em especial aos companheiros do Phila7 –GAG,
Betinho e seu homem tanque numa praça em Pequim olhando a vida por uma fresta
Marquinhos e seu delírio febril para curtir num curta
Mirellinha e seu OP2
Mamãe Marisinha que com arte segura a peteca dos arteiros
Rubinho que quer ficar quietinho num cantinho na companhia de uma vaca profana chamada Norma
Ricardinho que com suas fotos não documenta um espetáculo mas o compreende. Algumas delas vocês já viram acima.

Todos fofos colocados/deslocados comendo bolinho de fubá feitos por Maria Joana, cozinheira transcendental, adepta da técnica do relaxa e goza.

Kisses and Hugs, in English please, que é para não perder a viagem.
Rubens

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