O Homem da Camisa Branca

O Homem da Camisa Branca - um dos destaques no Fringe - Curitiba 2012

"Tudo é bem delicado nesse solo que não busca impor ideias e pode levar o espectador mais disponível a pensar sobre a existência a partir do ato de encher uma xícara de chá, como faz o performer. Para mim valeu ter visto, foi um dos bons momentos que passei nessa edição do Festival de Curitiba." (Beth Néspli).

foto de annelize tozetto1.jpg
foto de Annelize Tozetto

"A "vocação" do evento, de acordo com os analistas especializados, está na mostra paralela, o Fringe, onde a existência de mostras com curadoria vem facilitando a separação do joio do trigo e jogando holofotes para trabalhos novos, com pesquisa aprofundada. ...
O Homem da Camisa Branca foi outro espetáculo citado por críticos como Daniel Shenker, colaborador do site Questão de Crítica..."(matéria do jornal Gazeta do Povo, Curitiba, 08-04-2012)

foto-de-annelize-tozetto2.jpgfoto-de-annelize-tozetto3.jpg
fotos de Annelize Tozetto


Texto de Beth Néspoli sobre o espetáculo:

Estou no Festival de Curitiba, a convite da organização - é honesto informar logo de saída - e, pela primeira vez em anos que acompanho o festival, sem obrigação de escrever sobre ele, sem pautas prévias. São apenas quatro dias que terminam hoje à noite, amanhã volto para São Paulo.

Mas vi algo ontem que me estimulou a escrever, a compartilhar: o solo O Homem da Camisa Branca, com o ator Beto Matos dirigido por Marcos Azevedo. De saída, logo à primeira fala, aos primeiros gestos, chama atenção a forma como Beto consegue aquilo que é uma perseguição de muitos performers, uma determinada qualidade de presença, um estar aqui e agora falando diretamente com o espectador, sem traço de representação, relaxado, ombros soltos, e, ao mesmo tempo, e isso é fundamental, com um "tonus" corporal outro que não o cotidiano, em um estado alterado, que centra o ator, segura os pés no chão, torna os gestos precisos e expressivos, aparentemente livre de esforço, um corpo movido pelo que tem a dizer.

É a primeira qualidade que ganha o espectador de saída. Há outras. Trata-se de um espetáculo da Phila7, grupo dirigido por Marcos Azevedo, que tem como marca identitária a utilização de recursos técnicos como projeções, câmeras para captação de imagem on line e, por vezes, imagens reis e virtuais se entrecruzam ou dialogam. Esses recursos estão presentes em O Homem da Camisa Branca. Há projeções num telão ao fundo do palco, há uso de câmera on line, mas igualmente chama atenção o uso harmônico desses recursos que não "espetacularizam" a cena, tudo flui sem ser invasivo. Conversando com Marcos Azevedo ao fim da apresentação sobre esse aspecto ele comenta que usa uma tela negra para projetar "porque a tela branca, quando não recebe projeção, fica ali gritando em cena, pedindo imagem". Outro recurso utilizado é tirar as bordas das imagens, ficam esmaecidas, perdem o enquadramento cinematográfico, que assim ficam mais integradas à cena, elimina-se aquela sensação de uma tela de cinema em palco. E mais, a tela não fica suspensa, mas no nível do palco, o que provoca outro efeito. São técnicas que eu não havia percebido, ficara apenas essa sensação de uma projeção que não se torna vaidosa, espetacular, prepotente.

Quanto à dramaturgia, assinada pelo ator, explora-se uma imagem que se tornou mundialmente conhecida, daquele homem que se posta diante de uma fileira de tanques na Praça da Paz na China. Beto revisita esse ato e o faz numa interessante inversão de ponto de vista, a partir da visão do condutor do tanque que tenta desviar do homem. Afinal, uma máquina não para ou desvia por si só. O texto traça uma aproximação, uma especulação sobre o conflito vivido por aquele homem sem a ambição de chegar a respostas ou de dissecar aquele acontecimento, apenas compartilha esse ponto de vista, o que leva evidentemente o espectador a revisitar aquele ato de resistência "também" sob outro ângulo. Tudo é bem delicado nesse solo que não busca impor ideias e pode levar o espectador mais disponível a pensar sobre a existência a partir do ato de encher uma xícara de chá, como faz o performer. Para mim valeu ter visto, foi um dos bons momentos que passei nessa edição do Festival de Curitiba.

Esse solo, O Homem da Camisa Branca, fez parte da programação de uma dessas mostras dentro do Fringe, intitulada "na companhia de...", que teve curadoria da Cia. Brasileira, de Curitiba, dirigida por Márcio Abreu. Localizada no ótimo teatro HSBC, um daqueles teatrinhos que tem uma excelente relação palco/platéia, aquele palco baixo (para quem conhece, como o Anchieta, em São Paulo), a mostra trouxe ainda o grupo pernambucano Magiluth, com dois espetáculos, elogiados por quem viu, mais a montagem Por que a Criança Cozinha na Polenta?, dirigida por Nelson Baskerville e dois espetáculos da Cia. Brasileira, Oxigênio e Isso Te Interessa?, este último eu vou ver hoje.

Cada vez mais, com os anos de experiência acumulada neste festival, acho que essa é a saída para o Fringe, espaços com curadorias, cada uma delas com diferentes universos estéticos, cujos curadores trazem grupos afins, garantindo assim ao espectador fazer escolhas mais seguras e uma qualidade mínima que, muitas vezes, falta aos espetáculos do Fringe.

Vi outros espetáculos sobre os quais gostaria de escrever, acompanhei debates. Mas agora preciso ir ao teatro.
(Beth Néspoli - Facebook - 01-04-2012)

Registros em vídeo do espetáculo

Vídeo gravado em Curitiba, teatro HSBC, durante o FRINGE - FESTIVAL DE TEATRO DE CURITIBA

o homem da camisa branca - CURITIBA from Phila7 - GAG on Vimeo.

Vídeo gravado em São Paulo, no espaço GAG em 06/06/2012

o homem da camisa branca - GAG from Phila7 - GAG on Vimeo.

O Homem da Camisa Branca em Curitiba.

Dia 31 de março, 20hs, no Teatro HSBC - Curitiba
Av. Luiz Xavier, 11 - Rua das Flores

Flyer-O-Homem-da-Camisa-cop.jpg

site do Festival de Curitiba - Ingressos:

www.festivaldecuritiba.com.br

Release do espetáculo em Curitiba:

Homemdacamisabranca Release

O HOMEM DA CAMISA BRANCA

Texto de Beto Matos, contemplado com o Prêmio Estímulo de novos textos de dramaturgia para teatro da Secretaria do Estado da Cultura de São Paulo.

Há 20 anos, no dia 05 de junho de 1989, um dia após o exército chinês ter dispersado violentamente os protestos de milhares de estudantes na Praça Tiananmen, em Pequim, um jovem solitário e desarmado parou uma coluna de tanques na Avenida da Paz Celestial. Registrado em vídeo, fotos, textos, bolgs por indivíduos do mundo inteiro (jornalistas, cinegrafistas, fotógrafos, filósofos, comentaristas, etc.), este evento tornou-se simbólico.
O Homem da Camisa Branca propõe o encontro hipotético entre os dois homens que protagonizaram esta cena, na visão daquele que conduz o tanque. O texto procura um outro olhar, a partir do indivíduo e das ressonâncias simbólicas construídas através da mídia.

tanques.jpg

O recente Nobel da Paz 2010 foi conferido a Liu Xiaobo, intelectual chinês atualmente preso, como reconhecimento de sua longa e pacífica luta como porta-voz em favor da aplicação dos direitos fundamentais na China. Como não poderia deixar de ser, o governo da China condenou fortemente a concessão do Prêmio para seu dissidente, enquanto ele dedicou seu prêmio às vítimas de Tiananmen (Praça da Paz Celestial). Isso mostra a atualidade e pertinência do assunto tratado no espetáculo “O Homem da Camisa Branca – Para Além da Fresta” do Phila7.


homem1.JPGhomem2.JPG

“Imagine-se por trás de uma máquina que lhe permite um pequeno campo de visão e a necessidade de atribuir um significado às imagens que vê, sabendo que o que está para além da moldura de seu quadro é o que constrói uma idéia.”


O Homem da Camisa Branca explora os múltiplos olhares de um mesmo evento e as inúmeras leituras possíveis a partir do cruzamento destes mesmos olhares. A intenção do espetáculo não é fazer um estudo histórico nem documental, e sim promover uma ampliação de olhar, com o uso das tecnologias de comunicação.

homem3.JPGhomem4.JPG

Este novo espetáculo do Phila7 faz parte de uma pesquisa de novas linguagens e diferentes mídias, em que a dramaturgia e as novas tecnologias são ferramentas para o desenvolvimento de novos projetos na área de artes cênicas.

O Homem Da Camisa Branca - dados do espetáculo

Fotos

Phila7 no FESTIVAL CONEXÃO XXI

O CONEXÃO XXI – FESTIVAL CÊNICO tem como intuito a reunião de profissionais e obras cuja característica maior é justamente a pesquisa de linguagem a partir do uso de recursos tecnológicos. Sua programação prevê a realização de um simpósio, com debates e exposições teóricas, além da realização de oficinas e apresentação de espetáculos. O evento é uma iniciativa do núcleo Cena e contágio, linha de pesquisa do grupo Teatro: tradição e contemporaneidade, vinculado ao Departamento de Artes Cênicas da Universidade Federal da Paraíba – UFPB, cujas pesquisas têm como objeto o grotesco, a multimodalidade e a hibridez cênica, cujos resultados vêm sendo mostrados em eventos nacionais e internacionais.


http://www.festivalcenico.com.br/
De 18 a 21 de agosto em João Pessoa.

conexão.jpg

O Homem da Camisa Branca, 23 anos depois!

3 únicas apresentações gratuitas!

Comemorando 5 anos do espaço GAG, o Phila7 apresenta "O Homem da Camisa Branca", nos dias 4, 5 e 6 de junho - datas que marcaram o confronto da Praça da Paz Celestial, em Pequim, em 1989.

flyer-homem-site.jpg

Serviço:
De 04 a 06 de junho. (segunda, terça e quarta-feira)
GAG – Grupo de Arte Global
Rua Tito, 79 – Vila Romana – São Paulo - SP
Horário: 21hs
Duração: 45 min
Ingressos: gratuitos.
São vinte ingressos por sessão.
Os ingressos devem ser reservados com antecedência por e-mail (gag@gag.art.br). Os nomes confirmados por e-mail estarão em uma lista na entrada do espaço.